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RD
Submetido em 02/10/08 - 03:41 PM
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Só há exploração enquanto houver quem se deixe explorar.
Que força tem a lei escravizante se não houver quem a cumpra?
Que poder têm os governantes se não houver quem se submeta a eles?
Então porque nos envolvemos em manifestações a pedir que se mudem leis, se basta que as não cumpramos para não terem qualquer poder?
Não vêem que enquanto pedirmos, ou mesmo exigirmos, o que quer que seja, onde quer que seja, estamos a admitir que dependemos deles e a demonstrarmos o seu poder sobre nós?
Mais: gastamos as nossas energias, sentimo-nos grandes e depois a maior parte de nós volta para casa com a sensação da tarefa cumprida, dorme um soninho descansado e no dia seguinte está pronto para se submeter ao mesmo trabalho escravo que no anterior criticou existir!
Ou não é verdade que no dia a seguir à manifestação de oposição ao código laboral, todos foram trabalhar sob esse mesmo código?
É ou não é verdade que após uma manifestação estudantil, em que se gritou "Não pagamos!", os estudantes chegaram à universidade e pagaram?
E porquê? - pergunto eu – Porque se aceita a escravatura de um trabalho que apenas permite uma sobrevivência miserável?
Porque se submetem os estudantes a propinas tributivas, a favor de um sistema de endoutrinação gradual na mais profunda ignorância em relação à nossa natureza?
Todos nós sabemos porquê. Todos nós sabemos que neste sistema quem não o fizer não tem sustento.
Mas existirá este sistema se não houver quem o sirva?
Não produz a Terra sustento para todos?
O que acontecerá se, TODOS juntos, deixarmos de os servir e passarmos a providenciar sustento para nós próprios?
Haverá sempre quem os sirva - dizem-me com razão - E quem não os serve é morto.
E porque os serve, a maioria?
Não será por ignorância e medo?
Então, em vez de perdermos tempo e energias em manifestações contra leis e governantes, que só têm poder enquanto os deixamos ter, porque não concentramos as energias no combate à ignorância e ao medo dentro de cada um de nós?
Sim, eu sei que há quem trabalhe para informar o povo.
Mas não basta informar.
É preciso questionar. É preciso fazê-los questionar-se.
Sermos questionadores. Não aceitarmos algo que nos é dito, só porque nos chega de uma hierarquia ou do nosso melhor amigo.
É preciso pensarmos por nós próprios.
Sermos pensadores.
Sermos conscientes.
Conscientes do poder que temos e é nosso, se não o entregarmos a outros.
Conscientes de que a Terra nos disponibiliza sustento.
Não precisamos de patrões-papões para nos sustentarmos, nem mesmo se um qualquer Estado for patrão único.
Precisamos, sim, é de tomarmos nós as rédeas das nossas próprias vidas; de consciencializarmos quem o quizer ser e de travarmos a batalha contra a ignorância, o medo e a escravatura, com toda a nossa energia, unidos pelo amor, por uma sociedade baseada na sabedoria e respeito mútuo em vez de em mentira e no Poder.
Dir-me-ão que é utópico. Respondo-vos que será utópico enquanto pensarem que o é.
Porque:
Eles podem matar. Podem e matam.
Eles podem torturar. Podem e torturam.
Mas eles não podem escravizar se não houver quem os sirva.
O povo consciente jamais será servente!
"(...)e bastaram 25 anos de vazio para uma guerra acontecer - entre homens que não sabem, nem desejam, verdadeiramente lutar. O que leva os soldados dos ordeiros a premir o gatilho? O que leva os dos humanistas a ripostar? Talvez seja mesmo este pânico, este desconforto, que estupidamente fá-los funcionar em modo automático e cumprir ordens."
Rui Diniz: Olympus: A Profecia do Grande Espírito - excerto da Parte VIII